O que trava a liberação de uma cirurgia: o prazo que a operadora tem para responder, a recusa do material, a carência oposta a procedimento eletivo e o que o relatório precisa registrar.
A cirurgia foi indicada, o pedido entrou e a autorização não sai — ou sai com o material cortado. Este guia trata do que trava a liberação: o prazo que a operadora tem, a recusa do material, a carência oposta a procedimento eletivo e o que o relatório precisa registrar. O guia de cada cirurgia em particular está no índice de tratamentos.
Três travas diferentes
Demora na liberação, negativa do procedimento e negativa do material são recusas distintas, com prova distinta. A primeira se combate com o registro das datas; a segunda, com o relatório médico; a terceira, com a justificativa técnica da escolha do material.
O prazo para liberar a cirurgia
A operadora tem prazo para responder ao pedido e prazo para disponibilizar o atendimento — são coisas diferentes. Em procedimento de alta complexidade, a resposta deve vir em até dez dias úteis, e a realização, em até vinte e um dias úteis. Silêncio não equivale a negativa, mas o descumprimento do prazo é fato registrável e, por si só, sustenta a reclamação na ANS.
Por isso a primeira providência não é discutir: é anotar. Data do pedido, número do protocolo, nome de quem atendeu, data de cada retorno. É esse registro que transforma "está demorando" em prazo descumprido.
Quando a recusa é do material, não da cirurgia
Uma parte relevante das negativas não recusa o procedimento — recusa a prótese, a órtese ou o material especial indicado. A operadora autoriza a cirurgia e sugere material diverso do pedido pelo cirurgião, em geral mais barato.
A discussão aqui é técnica: cabe ao médico justificar por que aquele material é o indicado para aquele paciente, e é essa justificativa que sustenta o pedido. Quando há divergência entre o profissional e a operadora, existe procedimento próprio de junta médica — e ele tem regras de composição que precisam ser observadas.
Cirurgia parada na autorização ou material cortado? Com o pedido, o protocolo e a negativa, o caso já pode ser avaliado.
Cirurgia eletiva está sujeita à carência contratada. A discussão aparece quando o quadro evolui durante o prazo e o que era eletivo passa a ser urgente — aí incide a regra das 24 horas, tratada no guia de internação e atendimento de urgência. O que define a mudança é o relatório médico, não a classificação inicial do pedido.
O que o relatório precisa dizer
O diagnóstico e o que já foi tentado antes de se chegar à indicação cirúrgica.
A técnica indicada e por quê, especialmente quando há alternativa mais barata que a operadora vai sugerir.
O material, com justificativa individualizada — marca e modelo quando houver razão clínica para isso.
O risco de adiar, com prazo. "Urgente" sem prazo não ajuda o pedido.
O que fazer quando a negativa vem
Peça a negativa por escrito, com o motivo e o protocolo.
Guarde o histórico de datas do pedido até a resposta.
Peça ao cirurgião o relatório complementar enfrentando o motivo da recusa.
Registre reclamação na ANS — parte dos casos se resolve aí.
Mantida a recusa, o caminho é judicial, com tutela de urgência analisada pelo juízo, sem prazo definido em lei.
Como o Freitas & Trigueiro pode ajudar
A análise começa por identificar qual das três travas está em jogo, porque a prova de cada uma é diferente. Quando a demora é o problema, o caso se constrói com datas; quando é o material, com a justificativa técnica; quando é o procedimento, com o relatório que enfrenta o motivo da recusa.
Página escrita e revisada por
Bruna de Freitas Mathieson & Deyse Trigueiro de Albuquerque Lima
Advogadas com atuação em Direito da Saúde · OAB/PB 15.443 e 15.068 · Sócias do Freitas & Trigueiro
Atendimento em João Pessoa, São Paulo e on-line em todo o Brasil
Perguntas frequentes sobre cirurgia negada
i.Quanto tempo o plano tem para liberar a cirurgia?
Em alta complexidade, até dez dias úteis para responder e até vinte e um dias úteis para disponibilizar o atendimento. São prazos distintos, e ambos contam.
ii.O plano pode trocar o material indicado pelo cirurgião?
Pode questionar, e existe procedimento de junta médica para a divergência. O que sustenta a escolha é a justificativa clínica individualizada do cirurgião para aquele paciente.
iii.Cirurgia eletiva tem carência?
Tem, conforme o contrato. Se o quadro evoluir e passar a ser urgência ou emergência, muda a regra aplicável — e quem faz esse enquadramento é o médico, por escrito.
iv.A liminar é garantida?
Não. A tutela depende da prova apresentada e da avaliação do juízo, e o pedido é analisado sem prazo definido em lei.
Os guias sobre cirurgia negada
O que trava a autorização, e o índice por procedimento quando a dúvida é sobre uma cirurgia específica.
Em cirurgia, o que transforma "está demorando" em prazo descumprido é o registro: protocolo, data e retorno. Os demais guias por tema cobrem exames, internação, carência e reembolso.
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